A hashtag que virou um movimento internacional

A hashtag que virou um movimento internacional

No verão europeu de 2015, um grupo de amigos ingleses decidiu movimentar-se para ajudar os refugiados de diferentes origens que ocupavam um terreno baldio na zona portuária de Calais, na França, a chamada “Selva de Calais” em razão das condições precárias em que os migrantes ali viviam. Em sua maioria, eram famílias fugindo de guerras, perseguições políticas e da fome, que almejavam atravessar o canal da Mancha pelo Eurotúnel e chegar ao Reino Unido, onde pretendiam fixar-se.

Esse acampamento improvisado, que chegou ter 10 mil moradores, foi desmontado pelo governo francês em 2016, cerca de uma década após sua implantação. Foi durante sua existência a maior favela da Europa Ocidental, com instalações surpreendentes, como livrarias e igrejas improvisadas. Para muitos, essa “selva” era um símbolo da incapacidade da França de resolver a pior crise migratória da sua história após a Segunda Guerra Mundial. Na verdade, porém, Calais apenas reproduzia, provavelmente em escala maior, o que se observava (e ainda se observa) em outros países da Europa, na fronteira entre os Estados Unidos e o México e também no Brasil, na fronteira com a Venezuela.

Uma das livrarias improvisadas da Selva de Calais.

Ante esse cenário, o grupo de amigos ingleses decidiu usar as redes sociais para lançar a campanha #HelpCalais, cujo objetivo era simplesmente encher uma van com alimentos e outros itens de sobrevivência para as famílias que viviam em Calais. Em pouco tempo, essa hashtag foi compartilhada por milhares de pessoas e, em alguns dias, deu origem a uma organização da sociedade civil, a Help Refugees, hoje presente em oito países, além do Reino Unido, onde nasceu: França, Itália, Grécia, Sérvia, Bósnia, Croácia, Turquia e Líbano.

Após apenas quatro anos de atividades, já conseguiu levar ajuda a aproximadamente 1 milhão de pessoas, contando com 30 mil voluntários e dando apoio direto a mais de 100 projetos de apoio a refugiados, que atuam em rede, na Europa e no Oriente Médio. Para captar recursos de forma consistente, lançou camisetas criadas por uma designer inglesa, com os dizeres “Choose Love” (Escolha o Amor), que são vendidas aos milhares, todos os dias, pela internet e também em duas lojas da organização, uma em Londres, outra em Nova York. Essas lojas físicas, assim como a virtual, vendem dezenas de itens de conforto e sobrevivência a serem doados a refugiados. Vale a pena conferir tudo o que oferecem, visitando https://choose.love/.

Conhecer a história da organização Help Refugees é inspirador, pois é um exemplo que merece ser imitado. Recomendamos uma visita ao seu site em https://helprefugees.org/