Aquaponia, Hortas e Usina Fotovoltaica: projetos socioambientais influenciam positivamente as comunidades

Aquaponia, Hortas e Usina Fotovoltaica: projetos socioambientais influenciam positivamente as comunidades

Independentemente do segmento ao qual as mais de 200 instituições apoiadas pela Ação Social Cooperada pertencem, dentre os apoios realizados durante os 12 anos, existe um grande número de projetos que têm objetivado colocar os seus atendidos a par de ações ecológicas, ambientais e sustentáveis.

Os motivos se divergem e os resultados esperados e alcançados também são inúmeros: sistemas de reuso da água da chuva para conscientizar, hortas comunitárias em escolas e hortas adaptadas em asilos servindo para alimentar os alunos e também a autoestima dos idosos, a utilização de tecnologias sustentáveis para a diminuição de custos como as usinas fotovoltaicas e sistemas cíclicos simples que geram números positivos, retornos sustentáveis e ensinamentos de sobra para os envolvidos, como os projetos de Aquaponia.

 

Aquaponia e Horta – Projetos da AMMA e da escola Maria Fernanda Lopes Piffer

A aquaponia é um sistema de produção de diversos tipos de alimentos em um mesmo espaço. A técnica permite que aconteça a criação de seres aquáticos comestíveis e o cultivo de plantas (hidroponia) de forma simultânea. Com o sistema, é possível que em espaços compactos aconteça a criação de diversos vegetais, que são adubados pela água que é mineralizada pelos peixes, enquanto eles, recebem a água que é filtrada pelas plantas que estão em crescimento.

Quando conversamos com a Maria Angélica, voluntária da AMMA, descobrimos dentro da sua paixão em ajudar o próximo um pouco sobre os trabalhos ambientais que são realizados na instituição. Além da aquaponia, que é de responsabilidade dela, existe também a horta, que tem o biólogo Harquimedes Ceridorio como responsável. Harquimedes trabalha como educador ambiental da instituição e é responsável por atender às 10 divisões de turmas que são separadas de acordo com a faixa etária e ano escolar.

Na horta, onde são plantados todos os tipos de legumes e verduras, todo o material produzido é utilizado na oficina de alimentação saudável e também nas refeições da instituição, que atende atualmente 450 crianças e adolescentes. A produção permite que os alunos tenham uma variedade de 5 verduras e legumes diariamente, tanto no almoço, quanto no jantar.

(Harquimedes durante aula com alunos da AMMA. Foto: Arquivo)

A produção, que se mostra cada vez mais eficaz, transforma também as famílias. Harquimedes diz que “o excedente doamos às famílias, também dentro de um projeto de alimentação saudável. Junto a doação encaminhamos receitas práticas e saudáveis que as crianças já praticaram”. Os excedentes não são poucos. Ele diz que produz 800 pés de alfaces no mês, e utiliza cerca de 40 pés diariamente para alimentar as crianças. O que sobra é levado para casa pelos alunos para que os familiares façam parte do projeto de alimentação saudável de uma forma mais efetiva. Desde os seis anos as crianças começam a desenvolver uma conscientização ambiental e os projetos “têm o propósito de multiplicar o conhecimento em seus lares, criando vínculos com os familiares e disseminando o conhecimento adquirido na entidade”, ele complementa.

O projeto de aquaponia e da horta também fazem a diferença na comunidade bebedourense. A EMEB Maria Fernanda Lopes Piffer, referência neste tipo de projeto educacional no município, vem garantindo reconhecimento positivo e tornando-se inspiração para outros projetos a serem realizados na cidade.

Desde 2017, a escola atende 126 alunos da Educação Infantil I e II, e 137 alunos do Ensino Fundamental I, totalizando 235 alunos atendidos em período integral.  Ela foi uma das primeiras a ser contemplada com os recursos do PDDE Mais Educação (recurso oferecido pelo Governo Federal por meio do MEC), o que permitiu oferecer aos alunos um currículo de ensino que comporta atividades em tempo integral. Com o desenvolvimento de projetos, a entidade foi convidada a integrar o grupo de escolas associadas da UNESCO, sendo a primeira escola do Estado de São Paulo localizada em um município com menos de 100 mil habitantes a conseguir realizar tal fato.

O projeto Horta Comunitária, apoiado pela Ação Social Cooperada em 2017, tem como principal desafio despertar a consciência da necessidade de mudanças em nossos hábitos. Lá na escola, essa consciência é tomada a partir de ações sustentáveis que abordam a gestão de resíduos sólidos, realizadas com parcerias que levam o projeto para a frente e o introduz em outras realidades.

O coordenador do Meio Ambiente na Secretaria de Educação de Bebedouro, Murilo Montemor, é o responsável pelo elo entre a escola e a prefeitura municipal de Bebedouro, que oferece suporte técnico e assistencialista ao projeto. Murilo está sempre por lá, ajudando a resolver problemas e tirando dúvidas, enquanto a prefeitura doa materiais para a manutenção da horta. Assim como na AMMA, o sucesso do projeto entre os alunos, pais e comunidade vem se tornando cada dia maior. Segundo o biólogo, algumas associações de moradores em bairros carentes do município de Bebedouro solicitaram à prefeitura a instalação de uma horta comunitária próximo às suas localidades, e em parceria com a Andréia, gestora da escola Maria Fernanda, Murilo está fazendo estudos para viabilizar a aplicação do projeto nestes lugares.

(Alunos da EMEB Maria Fernanda Lopes Piffer durante atividade na horta. Foto: Arquivo)

Energia para ir além

Apoiado em 2016 pela Ação Social Cooperada, o Centro Educacional e Assistencial Nossa Casinha, localizado em Barretos, SP, também recebeu investimentos em um projeto do segmento ambiental. Mas, nesta instituição, a preocupação era com os gastos mensais de energia elétrica.

A Nossa Casinha atende atualmente 120 crianças do município, com idades entre 4 meses e 4 anos, oferecendo suporte em tempo integral. A norma principal para que as crianças possam estar na instituição é que os pais estejam trabalhando, por isto, existe um processo de seleção para que o benefício seja para famílias que realmente precisam do auxílio que o centro oferece.

O projeto apoiado pela Ação Social Cooperada na instituição foi a instalação de uma usina fotovoltaica, um tipo de sistema capaz de gerar energia elétrica a partir da coleta e conversão da luz solar.

Assim como vários projetos apoiados agora em 2018, a Creche Nossa Casinha tinha como preocupação maior a redução de gastos, e viu na usina fotovoltaica uma possibilidade sustentável que supriria uma grande porcentagem do valor da sua conta de energia mensal. Com a instalação da usina, a instituição foi capaz de reduzir mais de 60% dos seus gastos com energia elétrica e o valor que antes era usado para este fim, hoje colabora com a quitação de outros gastos.

Tatiana Aparecida da Costa, assistente social da creche, diz que o apoio da Ação Social Cooperada foi de grande valia. Mesmo com a execução de um projeto não focado no segmento da instituição, que é a educação e o assistencialismo, ele colaborou para que a instituição desses passos mais que necessários. “O investimento das cooperativas trouxe soluções de melhorias para a instituição e formas de cortar gastos e otimizar resultados. Solucionar dificuldades emergenciais era uma necessidade importante para acelerar o crescimento e alavancar o nosso projeto”, comenta Tatiana.

 

A EMEB Maria Fernanda Lopes Piffer e a AMMA são instituições que se desenvolveram a ponto de conseguirem alcançar o objetivo de atuar cada vez de forma mais profunda na comunidade onde estão inseridas. O Centro Nossa Casinha, por meio de um projeto ambiental, deu um passo em busca deste mesmo objetivo. Se estiver se perguntando como um projeto de diminuição de gastos colabora com a comunidade, pense além, assim como as instituições fazem!

Em um futuro, esperamos que bem próximo, novos projetos de melhoria serão idealizados pelas instituições, e com um bom planejamento irão mostrar a importância de sua execução e terão mais chances de receber investimentos. A cada projeto apoiado, uma nova realidade para a instituição. A cada nova realidade, as possibilidades podem ser inúmeras, como atender mais alunos, aumentar a faixa etária dos atendidos, aumentar o quadro de funcionários, adicionar novos serviços à instituição, e, quem sabe, também a construção de uma horta comunitária.

Não importa como, quando os objetivos são nobres, eles são correspondidos e não demora muito até que comecem a fazer a diferença!