Da AMEI para o mundo: Alana Maldonado  campe mundial de jud paralmpico

Da AMEI para o mundo: Alana Maldonado é campeã mundial de judô paralímpico

Atleta nata, a jovem encontrou na instituição o apoio para conquistar o 1º ouro brasileiro. A próxima meta? O Mundial de Judô em Tóquio.

            Vinte e três anos e portadora de uma doença juvenil pouco conhecida: a doença de Stargardt. Alana Maldonado enfrentou aos 14 anos a perda gradativa de sua visão, ficando com 20% da sua capacidade. Mas sua determinação, inteligência, a capacidade de pensar grande e o incentivo da Associação Mariliense de Esportes Inclusivos (AMEI), apoiada pela Ação Social Cooperada através da Credicitrus e da Coopercitrus a fez, no dia 17 de novembro, campeã mundial de judô paralímpico, a primeira medalha de ouro da história do Brasil.

Judoca de nascença

            Ovacionada pelos meios de comunicação, a tupãense Alana conta que começou a praticar a modalidade por incentivo da família – a avó e os tios trabalhavam em uma academia e a inseriram no meio.

            “Conheci o esporte paralímpico só na faculdade, anos depois de descobrir a doença. Me formei em Educação Física e fiquei sabendo do trabalho realizado na AMEI. Entrei em 2014 e passei por diversas modalidades, como atletismo e natação, e só depois descobriram minha bagagem como judoca”.

            O Levi Henrique Carrion, um dos fundadores da AMEI, completa: “Vimos que ela é uma menina muito coordenada e, conversando, descobrimos que ela tinha parado na faixa marrom”. Visto o talento, no mesmo ano a atleta participou do Campeonato Brasileiro de Judô Paralímpico, realizado em Campo Grande, MS; venceu e foi convocada para a Seleção Brasileira de Judô Paralímpico: “Em 2015 já foi para o Mundial da Coreia, disputou em inúmeras competições e hoje é a principal judoca do mundo em sua categoria”.

            Uma figura marcante em sua carreira é Denilson Lourenço, um dos seus primeiros treinadores: “Quando eu ainda morava em Tupã, ele teve que se mudar para São Paulo para treinar a equipe de judô do Palmeiras e me convidou para fazer parte da equipe. Eu fui, mas sem abandonar a AMEI. Tenho um amor imenso por ela e, apesar de hoje também viver em São Paulo, estou sempre por lá”.

Lesão e incentivo

            “Eu me cobro muito”, enfatiza Alana lembrando do ano difícil que enfrentou. Em abril, durante uma competição na Turquia ela sofreu uma lesão no joelho esquerdo e, ainda assim, competiu até a final. Ao retornar para o Brasil, passou por cirurgia e, ante a recuperação, teve que reformular todo o seu calendário colocando em risco até sua participação no evento que a sagrou campeã.  

            “Fiquei sabendo que poderia participar do Mundial de Judô uma semana antes. Enquanto isso, como não podia fazer esforço e como não conseguia ficar parada, estudei, estudei muito! Pesquisei técnicas de concentração e inteligência para aplicar durante as lutas. Este período me amadureceu muito e eu adquiri a experiência necessária para ir a Portugal com tudo”, diz, ao lembrar da final dos Jogos Paralímpicos, em 2016, onde perdeu para a adversária mexicana.

Rotina e a grande final

            A judoca treina de segunda-feira a sábado, dividindo a maratona entre atividades de fisioterapia e fortalecimento, treinamento técnico, físico e prática. Três técnicos – dois da seleção brasileira e um do Palmeiras –, preparador físico, fisioterapeuta, psicóloga e, eventualmente, um médico, a acompanham diariamente.

            Todo o preparo refletiu na conquista do ouro inédito. Em terras portuguesas, na final do Mundial de Judô Paralímpico, na categoria até 70 quilos feminina, Alana derrotou a uzbeque Vasila Aliboeva: “Hoje me vejo como uma atleta profissional e a responsabilidade só aumenta, pois sou a mais visada na categoria. Minha meta é treinar o dobro para conquistar o título de campeã mundial em Tóquio, 2020”.

            “Esta conquista mostrou como a Alana é uma judoca completa e muito mais forte do que imagina. Ela é tão grande que representa duas instituições de judô importantes e ficamos felizes por poder contribuir com sua formação e inseri-la no esporte paralímpico. Nossa missão não é fazer assistencialismo, mas sermos assistentes dos atletas para que eles sejam protagonistas de suas vidas”, finaliza o fundador da AMEI.

            Com Alana e, anteriormente, Daniel provamos a força do terceiro setor em alavancar vidas e incentiva-las a ultrapassar as barreiras pessoais, sociais e até mundiais. Parabenizamos a Alana  e direcionamos a você, caro leitor, a missão de continuar vestindo a camisa pelas causas abraçadas pela Ação Social que, como podemos ver, alcança resultados cada vez mais extraordinários na vida de milhares de pessoas.