Despertar a conscincia de que existe mais uma chance

Despertar a consciência de que existe mais uma chance

A Gislaine vai de coração aberto no trabalho voluntário que realiza aos sábados. Ela, junto a um grupo de amigos, oferece esperança a crianças carentes.

            Gislaine Gonçalves dos Santos Papassidro, 31 anos, é gerente de negócios na Credicitrus de Taquaritinga de segunda a sexta-feira. Aos sábados, ela se dedica a um projeto voluntário realizado por um grupo de amigos da paróquia que frequenta. Apesar do projeto não ser formalizado (por enquanto), ele representa grande impacto na vida de cerca de 50 crianças que vivem em uma comunidade carente e marginalizada.

            Através dela, vamos reforçar novamente a importância do trabalho voluntário no terceiro setor. Já nos adiantamos em nosso Guia do Bom Voluntariado e perguntamos: o que é essencial para abraçar uma causa?  Gislaine responde: “Coração aberto e mãos dadas”. De Mãos Dadas, inclusive, é o nome do projeto, iniciado há cerca de um ano por paroquianos da igreja Sagrada Família.

            “Eu era catequista nesta comunidade e, um dia, uma amiga me contou sobre as necessidades que as crianças passavam quando não estavam na escola e na catequese. Muitas crianças não tinham o que comer”.

Necessário e lúdico

            Partindo deste princípio básico, mas com a sede de oferecer sempre mais, a Gislaine, a amiga e mais algumas pessoas começaram a movimentar ações aos sábados para criar laços com aquela comunidade; de início com o objetivo de atender as crianças de 3 a 15 anos, mas depois estendendo-se, com o tempo, às famílias.

            “Arrecadamos alguns brinquedos e realizamos algumas brincadeiras, rodas de leitura e teatro com fantoches. De vez em quando oferecemos serviços de salão de beleza. Ao final de cada sábado, servimos uma refeição bem completa”, conta.

            Tudo que o projeto precisa para manter as atividades é conseguido através de doações da paróquia e a parceria com empreendedores da cidade: um varejão se encarrega de doar os vegetais, uma padaria doa pães e outros alimentos para o lanche e alguns parceiros da cidade de Campinas e a prefeitura de Taquaritinga ajudam com a estrutura do local, oferecendo uma cobertura no espaço onde as atividades são realizadas para proteger todos do sol.

Além do pontual

            As brincadeiras, os cuidados e as refeições, contribuem para formar a consciência de fraternidade entre as crianças. Gislaine lembra de um momento: “Estávamos falando sobre caridade e propusemos que os alunos doassem alimentos para nos ajudar a montar cestas básicas. Uma das crianças levou um saco de feijão aberto. Depois, a mãe dessa criança nos disse que aquele feijão era a única coisa que eles tinham para comer. Conseguimos uma cesta básica para a família depois, mas percebemos como a consciência dessa criança já tinha mudado através do projeto”.

            Possibilitar este apoio desde a infância é capaz de mudar a perspectiva das pessoas quanto ao futuro. Sem o trabalho voluntário da Gislaine, por exemplo, estas crianças provavelmente não teriam o que comer e se deparariam com as situações de marginalidade como a única possibilidade de sobrevivência.

            “Independente da situação, conseguimos despertar a consciência de que existe uma chance. Estas crianças são o futuro do nosso país, não podemos e não vamos deixa-las às margens da sociedade”.

Pensando grande

            O De Mãos Dadas tem dado cada vez mais certo, mobilizando cada vez mais pessoas. Por isso, o grupo pretende expandi-lo, mas com passos firmes e pacientes.

            “Desejamos transformar o projeto em uma escolinha de cursos para as crianças e também para as famílias. Mas é só um sonho, por enquanto. A curto prazo, precisamos erguer nosso barracão para oferecer mais estrutura aos nossos alunos e também precisamos de uma cozinha para preparar as refeições e armazenar todos os alimentos que ganhamos”.

            Outra meta é desenvolver o projeto todos os dias durante o período de férias escolar: “como atendemos somente aos sábados, muitas crianças não têm a refeição garantida durante o período de férias. Por isso, queremos estruturar esta ação o quanto antes”, finaliza Gislaine.

            Nosso mural de inspirações do voluntariado está ficando cada vez maior e, em cada história que conhecemos, um paradigma é desmistificado dando lugar a mais vontade de fazer parte de uma instituição. Como diz a Gislaine: “A gente sai de casa achando que vai fazer o bem para o outro e quem recebe o bem acaba sendo a gente”.

            Acreditamos que todos nós, de formas diferentes, somos capazes de fazer a diferença em uma instituição, comunidade ou projeto. Basta que nos permitimos a isto. Finalizamos este artigo com uma proposta: leia nossos conteúdos sobre trabalho voluntário: conheça o Carlos, a tia Zezé e a Angélica. Em um segundo momento, visite instituições da sua cidade e conheça o trabalho delas. Quem sabe você não se identifica com um projeto?