Projetos de Gerao de Renda: A emancipao financeira das instituies

Projetos de Geração de Renda: A emancipação financeira das instituições

Ações empreendedores continuadas que visam a sustentabilidade das organizações.

Conheça a importância desta iniciativa.

            Vamos pensar na organização do terceiro setor como um lar. Existem as despesas e, para manter todas as contas em dia, os integrantes deste lar precisam levantar recursos trabalhando. Em alguns casos, o governo insere este lar em programas que garantem o acesso aos serviços essenciais. Mas nem sempre este respaldo é suficiente.

            Da mesma forma, as organizações da sociedade civil buscam recursos públicos, mas, geralmente, sobrevivem do assistencialismo, de doações da sociedade civil e de convênios com empresas. Por isso, precisam pensar em estratégias para gerar renda, mantendo suas atividades e se expandindo em novos projetos.

            O consultor externo da Ação Social Cooperada, Adalardo Martins, diz que a cada dia as instituições têm menos acesso a recursos públicos, devido a escassez, má distribuição ou a políticas de assistência social deficitárias.

            “A necessidade de desenvolver projetos de empreendedorismo social para geração de renda é importante para melhorar a sustentabilidade econômica das entidades e diminuir a vulnerabilidade social dos usuários. Outro fator importante é que ainda não está bem desenvolvida a cultura do voluntariado. Menos de 5% dos brasileiros atuam como voluntários nas entidades sociais”.

            Em busca de sustentabilidade econômica, instituições como a Associação de Combate ao Câncer, de Marília, SP, apostam em ações de geração de renda própria. A de maior destaque na ACC é a Cozinha Ativa, que tem mais de 10 anos de história, mas há 2 vem tornando seu trabalho mais forte e contínuo.

            A presidente Maria Antonia Antonelle conta que, nos 26 anos de instituição, este foi um dos passos mais importantes: a busca pela autossustentabilidade. A Associação é referência no atendimento gratuito de quase 3500 pacientes oncológicos de Marília e região e oferece, além do apoio de profissionais da saúde e assistência social, produtos como medicamentos, cestas básicas, fraldas geriátricas e suplementos alimentares, cadeiras de rodas, perucas e bengalas.

 

Artesanal e voluntário

            Ao contrário do que mostram as pesquisas, o projeto Cozinha Ativa conta com o trabalho de 25 voluntárias que se dividem em dois turnos, às quintas-feiras. O carro-chefe são os produtos de panificação, especialmente as bolachas de nata e os beliscões. Também fazem parte da produção as tortas de frango, as roscas de calabresa e as esfirras e, sazonalmente, outras guloseimas, como pães de mel e pizzas.

            A venda, por enquanto, é feita informalmente através das redes sociais e do “boca-a-boca”. A vizinhança procura diariamente as bolachinhas e, quando as voluntárias produzem torta ou rosca, o sucesso é tanto que chegam a vender 160 unidades por dia.

            O resultado de todo este empenho vem nos R$7 mil livres para a instituição, mas que já têm um destino certo: a compra de suplementos alimentares para os pacientes. O produto possui um custo elevado e é bastante usado no processo de tratamento do câncer. Com o valor arrecadado e o contato direto com fornecedores, a ACC consegue comprar cerca de 100 latas do suplemento, o que supre 10% de sua demanda.

 

Produção industrial, essência artesanal

            O Cozinha Ativa é um dos projetos apoiados pela Ação Social Cooperada, cuja parceria possibilitou a compra de equipamentos para o aumento da produção. Maria Antonia diz que o apoio impulsionou seus planos de expansão, que incluem, por exemplo, levar a produção a nível industrial, se perder a qualidade artesanal; e instalar pontos de venda para os produtos exclusivos da ACC.

            “Um incentivo como este faz com que nosso trabalho seja aprimorado cada vez mais e nos mostra que o caminho que devemos seguir é seguro e possível, e vai continuar dando melhores condições de vida aos pacientes oncológicos”, afirma Maria Antonia.

            Já Adalardo enxerga nestes projetos uma nova mentalidade de empreendimento por parte das instituições do terceiro setor: “A Ação Social Cooperada vê essas iniciativas como importantes, na medida que interfere na dependência das organizações a recursos oriundos do poder público. São projetos emancipatórios, pois dá maior autonomia às instituições, porém, exigem uma preocupação maior com o planejamento de ações e de gestão institucional”, pontua.

            Com este exemplo, percebemos como é importante incentivar e apoiar a independência das instituições, mas sempre oferecendo o respaldo necessário para que isso aconteça. A partir de iniciativas como esta demonstramos a capacidade que temos de levantar uns aos outros, de restaurar a autoconfiança e de enfrentar todos os desafios para atingir determinado resultado e, apesar de sabermos que o apoio da Ação Social passa, temos a certeza de que os projetos continuarão, contendo, nas linhas de sua história, a colaboração de muita gente.