O Apoio Voluntrio Fazendo a Diferena

O Apoio Voluntário Fazendo a Diferença

Sempre que colocamos o trabalho voluntário em pauta, focamos nas expectativas e nos benefícios que estas ações podem trazer ao próximo. É claro que reforçar a importância deste trabalho sempre que possível é e sempre será um tema válido! Enquanto você, como nosso leitor e uma pessoa com grande capacidade de realizar mudanças, pode continuar fomentando a relevância deste assunto, discutindo sobre ele com a sua família, no ambiente de trabalho, nas redes sociais e também no grupo de amigos. Com cada vez mais pessoas interessadas no assunto, mais ações serão feitas, e consequentemente novos passos serão dados em direção às mudanças que o mundo precisa para se tornar justo a todos nós.

Enquanto você faz a sua parte, nós provamos por aqui o benefício que estas ações têm, tanto para as pessoas apoiadas, quanto para quem se oferece como voluntário em diversas atividades nas instituições. Conversamos com o pessoal da AMMA, de Pirassununga, do CCI, de Mogi Mirim e do Grupo de Assistência às Pessoas com Câncer de São Manuel, instituições localizadas em municípios paulistas que além de beneficiadas pela Ação Social Cooperada também são grandes beneficiadas do trabalho voluntário.

A AMMA – Associação Alda Miranda Matheus, localizada no município de Pirassununga, foi fundada em 1997 por meio da iniciativa de um empresário muito preocupado com a situação da infância e juventude nos bairros carentes da cidade. Dada a sua iniciativa, ele foi o provedor desta instituição que trabalha como uma agente transformadora no município, atuando em prol da dignidade e do desenvolvimento integral da infância e da juventude através do desenvolvimento da educação dentro de vários núcleos, como o esportivo, o ambiental, o tecnológico e o cultural. Desta maneira, a AMMA pretende atenuar os efeitos negativos que são resultados de crianças afastadas de atividades educacionais.

Atualmente beneficiando cerca de 412 famílias, no ano passado, a AMMA foi apoiada pela Ação Social em um projeto ambiental que se baseava na instalação de uma horta e do sistema de Aquaponia na instituição. Com a execução do projeto, o objetivo era que os alunos fossem responsáveis por produzirem a sua própria alimentação e também obtivessem alimentação por meio de um sistema sustentável.

Lá na AMMA, a responsável por monitorar as atividades do núcleo ambiental é a Maria Angélica, que é voluntária na instituição desde 2014. A analista ambiental que já é aposentada, após se ver sem ocupações, decidiu que era hora de usar do seu conhecimento para ajudar uma instituição. A escolha por se tornar voluntária na AMMA se deu pela empatia que teve pelo lugar e pelas pessoas que trabalhavam por lá. Além de oferecer o conhecimento que tinha, ela se dispôs a cuidar da horta, e, com isso, sabia que havia ganho uma oportunidade de aprender ainda mais diante de novos desafios. “Trabalhei por 31 anos com peixes tropicais de água doce, mas, [eu disse que] poderia me esforçar para aprender o que fosse preciso”, relembra.

Angélica conta que iniciou as atividades na instituição um dia após a sua visita, e que todos os dias ia até o projeto a pé, cantarolando e muito feliz sabendo sobre as coisas que realizaria naqueles dias. Logo, o resultado de sua positividade e da sua dedicação começou a dar frutos, e não demorou muito até que a horta começasse a tomar forma. E claro, tudo com o auxílio dos atendidos durante as atividades da instituição.

“Para nossa surpresa, aquela horta foi crescendo e tomando outra dimensão. Saíamos de lá, todos muito sujos de terra, porque as crianças até rolavam nos canteiros, catando os matinhos, com botas muito grandes em seus pezinhos tão pequeninos, e fazendo a plantação com muita alegria”, Maria recorda. Durante todo aquele ano, Angélica, foi a responsável por cuidar deste trabalho, mas devido a uma perda familiar, ela precisou se afastar das atividades, retornando somente em 2017.

Ela relata que, ao voltar à instituição para uma visita durante a Semana Santa, se deparou com o estado atual da horta, que estava deteriorada e cheia de insetos. Ao presenciar aquilo, decidiu que era hora de voltar, e em parceria com o Fabio, carinhosamente chamado de “Fabinho”, um técnico agrícola que era o atual responsável pelas funções do núcleo ambiental da AMMA, ela voltou cheia de planos inovadores que foram acolhidos pela gerência da instituição que tinha o desejo de ver a horta se tornar algo autossustentável.

(A voluntária Maria Angélica com atendidos da AMMA)

Desejo atendido e uma missão a cumprir!  Com esta missão em mãos e a cabeça borbulhando de ideias para reverter a situação da horta, a instituição investiu no projeto de Aquaponia, que posteriormente foi apoiado pela Ação Social Cooperada junto às outras solicitações feitas pela AMMA para a melhoria de grande parte do núcleo ambiental. Todas essas reviravoltas resultaram no que a instituição tem hoje: uma horta que alimenta todos os atendidos pela instituição e que também alimenta as famílias dos atendidos por meio dos excedentes.

Perguntada sobre os ganhos que tem estando à frente deste trabalho, Maria Angélica responde: “O meu retorno financeiro é a gratidão de Deus em saúde, humildade e bondade, sabendo que posso ajudar essas crianças a terem uma vida diferenciada dentro da sociedade, e saber que um dia poderei vê-las como pessoas do bem.”

 

Dividir é somar

Em visita ao Grupo de Assistência às Pessoas com Câncer de São Manuel para conhecer os resultados do “Prosperar”, projeto que visava a ampliação da fábrica de personalizados da instituição e que foi apoiado pela Ação Social Cooperada, nós conhecemos a Sirlei.

A Sirlei, que atualmente está aposentada, trabalha voluntariamente no grupo há cerca de um ano. Antes de se mudar para São Manuel, viveu por 14 anos no município de Bebedouro, e por lá, já apoiava voluntariamente instituições do segmento espírita. Ao voltar para São Manuel, conheceu os trabalhos do grupo e passou a se voluntariar colaborando nas atividades feitas pela instituição, inclusive a que foi apoiada pela Ação Social Cooperada.

Ela, que vai até a instituição duas vezes na semana ou até mais, quando é possível, ajuda na fábrica de personalizados, onde a instituição fabrica chinelos, camisetas, canecas, entre outros itens. Com várias mãos prontas para ajudar, a instituição vem recebendo cada vez mais encomendas, que geram lucros utilizados para a melhoria no atendimento da instituição.

Perguntada sobre o que a motiva a disponibilizar o seu tempo para ajudar outras pessoas, ela responde: “O que me motiva, é poder ser útil para alguém. Doar um pouco do meu tempo. Porque essas pessoas tem uma necessidade grande, então o que me motiva é poder doar, afinal, tudo que você divide, você soma!”.

(Sirlei durante atividades na sede do Grupo de Assistência às Pessoas com Câncer de São Manuel)

 

O Coração Sensível ao Bem

Localizada no Jardim Silvânia, em Mogi Mirim, está o Centro de Convivência Infantil de Mogi Mirim, uma entidade sem fins lucrativos, listada pela Revista Veja em 2001 como uma das 400 instituições com mais credibilidade no país e agraciada com o Prêmio Bem Eficiente em 1999 por ser uma das 50 entidades mais bem administradas em território brasileiro. A instituição, que já está em atividade há 38 anos, atende atualmente 230 crianças de 3 a 11 anos, que em sua maioria estão em situação de vulnerabilidade. Dentre as atividades realizadas no CCI, estão as oficinas de musicalização, a capoeira, o teatro, ginástica, jazz e leitura, além do apoio nas tarefas escolares, já que a instituição atende em período complementar ao dos horários das aulas dos atendidos.

Assim como a AMMA, O CCI também tem um projeto ambiental. Numa estufa, eles realizam o plantio de alface através do uso de materiais recicláveis, como potes de sorvete e garrafões de água. Dos maiores até os pequeninos, todos se envolvem no projeto, que tem como finalidade cultivar o que é utilizado na alimentação diária fornecida pela instituição.

E a preocupação com o meio ambiente não para por aí! Com o uso de placas fotovoltaicas, que transformam a energia solar em energia elétrica, a instituição é responsável por 100% da energia que consome. Além disso, no CCI eles fazem o processo de reciclagem para confeccionar brinquedos, instrumentos musicais e outros itens, além de também reutilizarem a água da chuva para a manutenção da horta , da jardinagem, para a limpeza, e que num futuro breve também será utilizado para abastecer as descargas dos banheiros que estão construídos atualmente na instituição junto às novas instalações.

Parte do voluntariado na instituição vem do Centro de Voluntariado de Mogi Mirim, iniciativa do ICA, que também é uma instituição apoiada pela Ação Social Cooperada. Paulo Roberto, atual diretor do CCI, diz que grande parte dos trabalhos voluntários na instituição acontecem durante os eventos de venda de pizzas, que são feitos mensalmente para a arrecadação de recursos para a instituição. O apoio vem na montagem das pizzas, que são cerca de 700 por mês. A instituição também recebe voluntários durante a festa julhina, onde cerca de 30 pessoas ajudam nas barracas de comidas e de brincadeiras.

Segundo Paulo, todo o apoio voluntário vem acompanhado de uma integração para quem se dedica a estas ações. Eles conhecem toda a estrutura da entidade e são apresentados aos resultados financeiros de todos os trabalhos que realizam, mostrando a importância de colaborar com uma entidade que visa o melhor aos seus assistidos.

Perguntado sobre como o trabalho voluntário afeta a vida da instituição, Paulo diz que o apoio é de vital importância e que as “nossas portas sempre estarão abertas àqueles que têm o coração sensível ao bem.”

Esta é só uma pequena amostra das conquistas plurais que a sua dedicação ao próximo pode alavancar. O trabalho voluntário exige muito de nós, de algo que quase sempre não disponibilizamos ao outro: nobreza, força de vontade, empatia e dedicação. Trabalhar de forma voluntária é um grande esforço, mas que oferece resultados que fazem todos esses esforços valerem à pena