O Centro Voluntariado de Mogi Mirim

O Centro Voluntariado de Mogi Mirim

Com tantos anos nos envolvendo com várias instituições dos estados de São Paulo e Minas Gerais, pudemos ver histórias e grande exemplos de pessoas preocupadas com o bem do próximo. Assim como faz parte da missão das cooperativas Credicitrus e Coopercitrus passar adiante aos seus colaboradores a importância da responsabilidade social, algumas instituições se desenvolveram a ponto de, hoje, serem portadoras de voz da importância e da eficácia de uma rede de colaboração para o bem de todos.

Em Mogi Mirim, município paulista com pouco mais de 90 mil habitantes, que teve 3 instituições beneficiadas pela Ação Social Cooperada em 2017, está o Projeto ICA, o “Instituto de Incentivo à Criança e ao Adolescente de Mogi Mirim”, que é uma das instituições que contemplam as qualidades que citamos acima.

A instituição fundada em 1997 atende diariamente cerca 600 alunos, que são crianças e adolescentes que se encontram em situação de vulnerabilidade social, utilizando da arte para desenvolver seu público através de ações articuladas, que se preocupam com o físico, emocional, social e cultural de cada um dos atendidos. Em 21 anos de história, o ICA soma várias conquistas importantes, como a construção de sua sede, a sua tecnologia social ganhando reconhecimento por órgãos como a UNICEF, Fundação Itaú Social, BrazilFoundation, entre outras.

Tanto reconhecimento e prestígio vem pela dedicação do ICA de transformar a comunidade onde está inserido e, após anos se aprimorando, se enxergou como uma a instituição capaz de ser agente transformadora na realidade de outras instituições do município. Foi assim, que com uma parceria empresarial, O ICA continuou a transformar a realidade da comunidade mogimiriana, mas, com um potencial ainda maior.

Este trabalho é feito através do CVMM, o Centro de Voluntariado de Mogi Mirim, que teve início às atividades em 2011 em um espaço próprio dentro da sede do ICA. O CVMM faz parte da Rede Paulista de Centros de Voluntariado, que atualmente forma uma rede de 29* centros em todo o Estado de São Paulo. Atualmente, os serviços do CVMM servem à 23 instituições do município. São elas a Associação Alma Mater, a Associação Resgate à Vida, a Associação Espírita Jesus e Caridade, a APAE, a Associação dos Portadores de Deficiência de Mogi Mirim, a Casa de Repouso Emanuel, o Centro Comunitário Badi, a Casa da Criança Carlota Lima de Carvalho e Silva, o Centro Comunitário da Vila Dias – CECOM, o Centro Espírita Fé, Esperança e Caridade, o Dispensário Nossa Senhora das Graças, a Equipotência Entidade Filantrópica e Assistencial, o Educandário Nossa Senhora do Carmo, a Guarda Mirim de Mogi Mirim – CEBE, o Instituto Coronel João Leite, o Lar Infantil Aninha, o Lar São Francisco de Assis, a Sociedade Santo Antonio de Mogi Mirim, a Santa Casa de Misericórdia de Mogi  Mirim, a Associação Jesuíno Marcos Maguila, a Vila Vicentina de Mogi Mirim da Sociedade,  o Centro de Convivência  Infantil -  C.C.I, e ao próprio ICA que é a gestora do Centro, sendo as 4 últimas, instituições que tiveram projetos apoiados pela Ação Social Cooperada no ano anterior.

O que acontece em um Centro de Voluntariados?

O objetivo dos centros voluntariados existentes no país, é promover de forma ampla e eficaz, a cultura e o valor do trabalho voluntário, guiando as pessoas no caminho para cumprirem com o seu papel de cidadão e as incentivando a serem mais solidárias.

Assim como as instituições trabalham de formas metódicas para atender às necessidades de seus acolhidos, o CVMM é o responsável por abrir as portas e oferecer capacitação às pessoas que se dedicarão às ações voluntárias. A capacitação é como uma espécie de treinamento, que abrange o trabalho voluntário perante várias perspectivas, como as legislações que regem o trabalho voluntário, características deste tipo de ação, como e onde é possível atuar neste segmento, e os direitos e deveres que você tem ao se tornar um voluntário.

E enquanto o centro prepara os voluntários, as instituições parceiras também recebem orientações do centro, que funciona basicamente como um serviço voluntário vindo do próprio CVMM. Elas se capacitam recebendo orientações, como técnicas sobre a legislação, e orientações para otimizar o processo de captação de recursos, entre outras atividades.

(Voluntários durante capacitação no CVMM. Foto: ICA)

Um auxílio essencial

Nós conversamos com duas das instituições que recebem o auxílio do CVMM, e que também foram apoiadas pela Ação Social Cooperada. Uma delas é a Associação Jesuíno Marcos Maguila, mais conhecida como Projeto Maguila. A entidade trabalha com crianças e adolescentes de 6 a 17 anos, que estão em situação de risco e habitam na zona leste de Mogi Mirim, desenvolvendo atividades socioeducativas e incentivando o fortalecimento dos vínculos familiares de seus assistidos.

No Maguila, o CVMM costuma oferecer suporte para os eventos externos que a instituição realiza para a captação de recursos, que costumam ser almoços e jantares. Os voluntários ajudam atuando na organização e na comercialização dos itens, e em cada um dos eventos, estão em cerca de 15 a 20 pessoas prontas para auxiliar.

Lucinei da Rocha, atual presidente da Instituição diz que antes do CVMM ser fundado, as solicitações de trabalho voluntário eram feitas a amigos, familiares e pessoas próximas ao projeto, e agora, com intermédio do Centro, é mais fácil se organizar, pois é feita a solicitação com antecedência para que no dia, ela tenha a certeza da colaboração de todos. E é claro, o que antes ajudavam com prazer, continuam ajudando, mas agora, escalados pelo Centro.

Segundo Lucinei, um dos momentos mais importantes do ano, que tem o voluntário como causa principal para acontecer, é a festa de aniversário do Projeto Maguila, que também recebe voluntários para a organização, e além da ajuda, cada um dos voluntários apadrinha uma das pessoas da instituição, doando um conjunto de roupas para elas.

Na Vila Vicentina, fundada em 1900, atualmente são atendidos idosos com mais de 60 anos em situação de vulnerabilidade e/ou risco social e pessoal, oferecendo proteção social através de ações assistenciais.

Laís, uma das assistentes sociais da Vila Vicentina, diz que o trabalho voluntário na instituição colabora principalmente, na promoção do bem-estar, da sociabilidade e da troca de saberes que acontece entre acolhido e voluntário. Com o público que é atendido pela instituição, na maioria dos casos, as atividades voluntárias colaboram para que os voluntários utilizem de suas habilidades para desenvolver atividades direcionadas e específicas para os idosos. Assim, as ações voluntárias colaboram para preservar as habilidades dos idosos, utilizando-se, por exemplo, de oficinas de artesanato, pintura em tela, pintura em papel, crochê, tricô, jogos recreativos e jogos com o objetivo de ativar a memória. E claro, estão abertas para novas ideias vindas de propostas do voluntariado.

Assim como o Maguila, a instituição também solicitava o apoio de pessoas próximas da instituição para auxiliar em ações para arrecadar fundos. Laís diz que a ação “causava estresse e muita decepção, pois os convocados não apareciam para ajudar no evento, mas há 4 anos contamos com o Centro de Voluntariado em nossos eventos.”

Em uma análise reflexiva sobre os anos de apoio vindo do CVMM, Laís completa dizendo que “Para ser voluntário em instituição, seja qual for o público alvo, é preciso amar o que faz, amar ser voluntário e amar o próximo, pois o voluntário não recebe valor monetário em troca apenas agradecimentos e a felicidade e a certeza de ter feito algo bom para ajudar as pessoas que precisam. O voluntário disposto faz muito bem o seu trabalho e isso impacta positivamente para a instituição trazendo bom humor, alegria, bem-estar, economia e eficácia.”

 

Fazendo a diferença

É a Ligia Bovolenta, de 34 anos. Atualmente ela trabalha como assistente de administração no município da Campinas, mas também é formada em psicologia. Ela diz não lembrar exatamente quando o trabalho voluntário se tornou parte da sua vida, pois, desde pequena, quando ainda era do grupo de escoteiros, foi ensinada a colaborar com o próximo. Segundo ela, o fundador do movimento escoteiro, Baden Powell, foi quem a ensinou que “a gente sempre pode deixar o mundo um pouquinho melhor do que encontrou”.

Após terminar a faculdade, Lígia notou certa falta de produtividade de sua parte. Viu sua vida profissional em um estado não tão produtivo quanto ela gostaria, portanto, ao invés de ficar parada, ia usar do conhecimento que adquiriu para se tornar psicóloga voluntaria em algumas instituições. Ela, que mora em Mogi Guaçu, tem trabalho fixo como psicóloga de uma instituição do município, chamada Vinha de Jesus, mas, sua busca por oferecer tudo o que tinha pelo bem do próximo, levou ela até o CVMM.

Através do CVMM, a primeira tentativa de trabalho voluntário acabou não ocorrendo por motivos maiores que a sua força de vontade, entretanto, na primeira oportunidade, foi chamada pelo Centro para ajudar em um evento beneficente. Desde então, Lígia já atuou em vários eventos de várias instituições ligadas ao centro.

(Lígia e amigos durante ação voluntária. Foto: Arquivo Pessoal)

Sobre ser uma cidadã que oferece esta ajuda, Lígia diz que “[o trabalho voluntário] deveria ser uma questão moral de todos. Mais do que “não vou fazer nada para prejudicar”, é “vou fazer algo para ajudar”.

 

Essas são algumas pessoas atreladas às organizações que provam o sentido real de se esforçar pelo próximo. Os ganhos vão principalmente para as instituições que recebem o auxílio, entretanto, se pensarmos nas ações voluntárias e o serviço oferecido pelo CVMM, podemos ver uma rede de interligações onde todos se beneficiam de alguma maneira. Seja recebendo a ajuda, seja oferecendo uma nova perspectiva de mundo, seja através de uma conversa, seja colaborando. O que importa é ver que, realmente, a cooperação faz toda a diferença.