Histrias para quem gosta de contar - Os fantoches de Deus - pt.2

Histórias para quem gosta de contar - Os fantoches de Deus - pt.2

A Paz que eu procuro, mora numa flor

Que nasceu na rua, debaixo da lua

Na fenda do asfalto, pertinho à calçada.

(Flor na Fenda – Frei Walter Hugo de Almeida, ofm)

Os fantoches de Deus não nascem no centro da sociedade e do mundo, nascem no canto da rua, na fenda do asfalto. Eles não andam pelas calçadas ocupadas por transeuntes normais que andam apressados pelos afazeres e pelos prazeres da vida. Gente que não olha as flores que nascem nas fendas dos cantos do mundo.

Em Araçatuba, encontramos esses fantoches de Deus, que nasceram como flores tortas e debilitadas, em grande parte esquecidas pela sociedade. Na Associação de Ampara às Pessoas Deficientes “Ritinha Prates”, os fantoches de Deus são acolhidos e cuidados. Centenas de pessoas se mobilizaram para cuidar dessas flores estranhas, semeadas por Deus, para humanizar os corações desumanizados. Em sua maioria são pessoas jovens, que inspirados pela força do amor, dedicam seu tempo e suas habilidades profissionais para cuidar do jardim onde os fantoches de Deus teimosamente sobrevivem e nos tornam melhores, porque inspiram em nós a generosidade e o cuidado. Seu papel é tornar o humano mais humano e praticar o cuidado pela vida.

Ali bem tranquila, não rodam pneus, ninguém se intromete, não há colibris. Que flor desafio, que o asfalto rebenta, que zombam dos homens, ali barulhando...

Na Ritinha Prates os fantoches de Deus vivem e fazem viver a esperança. Não há desafio; há entrega, paixão e amor ao próximo. Cada pedacinho que se engole, cada sorriso dado, cada frase mal pronunciada, cada grito de dor tem sua atenção e seu deslumbre. O tempo e a vida são medidos não por dias e horas trabalhadas, mas por pequenas e custosas conquistas. Nosso coração se aquece com o calor humano e nossas lágrimas se entristecem e se alegram ao mesmo tempo com a fragilidade e a força humana de esperar contra toda esperança.

Procuro essa paz, que vem de outra fonte, e não dos conluios, pretensos tratados.

Sua missão é acolher os desacolhidos. É endireitar o que nasceu torto e trazer ao centro aquele que vivia na periferia da vida. Não há tempo a perder. A vida grita na Ritinha Prates, e como disse o Mestre; “quem tem ouvidos para ouvir, ouça”.

Eu quero essa paz, do chão bem profundo,

Que não vem do mundo, mas vem de Jesus”.