Comece a planejar da forma certa - Parte 1

Comece a planejar da forma certa - Parte 1

O mundo está mudando a uma velocidade sem precedentes, e essa velocidade está em aceleração. A tecnologia, as relações sociais e o próprio ambiente em que vivemos estão em rápida transformação. Como resultado, a humanidade tem uma grande variedade de macrodesafios a superar: pobreza extrema, desigualdade social, desemprego e mudanças climáticas, para citar os mais urgentes.

Cada macrodesafio, por sua vez, pode ser decomposto em numerosos microdesafios, como, por exemplo, a necessidade de contornar, por meio de atividades socioeducativas, a ameaça de recrutamento de jovens pelo narcotráfico em um bairro periférico e com infraestrutura deficiente de uma cidade qualquer.

Para completar, além de múltiplos, os problemas sociais não são isolados, mas em grande parte interconectados. Carências alimentares na infância levam a problemas de saúde, que geram evasão escolar, e esta realimenta a pobreza, que enseja o aparecimento de focos de violência.  

Se os problemas estão interconectados, o mesmo deve ocorrer com as soluções. E aí está mais um desafio: a necessidade de romper o isolamento das organizações da sociedade civil (OSCs), para que passem a atuar conectadas, em rede, porque somente dessa forma se conseguirá que um mais um seja maior do que dois.

Essa breve descrição da realidade permite responder, pelo menos parcialmente, à questão: por que atuar em rede? A partir daí, é necessário que os dirigentes de cada OSC avaliem de forma criteriosa pelo menos sete fatores:

1) necessidades gerais da área geográfica em que sua entidade atua;

2) necessidades específicas do nicho social ao qual se dedica (recém-nascidos, crianças não alfabetizadas, adolescentes, deficientes físicos, mães solteiras, dependentes químicos, por exemplo);

3) recursos materiais, técnicos e humanos requeridos para sua atividade-fim (educação ambiental, reforço escolar, horta comunitária, artes circenses, esporte, dança, teatro, entre outros);

4) recursos de que efetivamente dispõe;

5) custos fixos – despesas cujo valor não varia ou varia muito pouco para um determinado nível de atividade em um determinado período (um ano, por exemplo), como aluguéis, contas de serviços públicos (estas podem oscilar ligeiramente), material de limpeza e salários;

6) custos variáveis – despesas que aumentam ou diminuem em função do nível de atividade no período, como refeições, medicamentos e artigos de cuidados pessoais adicionais quando cresce o número de residentes em um lar de idosos;

7) fontes de receita.

Em resumo: antes de atuar em rede, é preciso que a equipe dirigente da OSC tenha clara noção da situação desta. E isso não se encerra nos sete pontos citados, como se verá no próximo artigo.