5 dicas para colaborações de sucesso entre organizações da sociedade civil

29/08/2020

Um dos maiores defeitos das organizações da sociedade civil é o “individualismo”, a determinação de fazer tudo sozinhas, quando poderiam compartilhar dificuldades e conquistas, revezes e vitórias. É aí que as colaborações e o trabalho em rede fazem total sentido.

A advogada Jennifer Chandler, vice-presidente do National Council of Nonprofits (Conselho Nacional das Organizações sem Fins Lucrativos, em tradução livre) dos Estados Unidos, publicou recentemente, na página dessa instituição na internet, um artigo em que apresenta cinco dicas para que organizações da sociedade civil colaborem entre si e atuem com sucesso em rede. Seu artigo é resumido a seguir, sendo grafados em italic os trechos traduzidos literalmente.

Duvido que exista uma definição única de sucesso para colaboração entre instituições sem fins lucrativos, mas, em minha opinião, uma colaboração é bem-sucedida se as partes envolvidas estiverem dispostas a trabalhar juntas novamente.

DICA 1: CUIDADO COM A “MENTALIDADE DA ESCASSEZ”

Um bom conselho é: Faça o que você faz melhor e faça parceria para o restante. Há limites para o que podemos realizar sozinhos. Conformar-se com esses limites como sendo algo intransponível configura a “mentalidade da escassez”. Cada organização sem fins lucrativos tem seu próprio raio de alcance, ou seja, só consegue influenciar um número limitado de pessoas. Ao colaborar com outra ou outras organizações que atuam na mesma atividade, amplia sua área de influência e, assim, pode expandir sua capacidade de gerar benefícios. Embora não seja fácil estruturar uma parceria, esta tem vários aspectos positivos, como possibilitar o desenvolvimento de uma agenda comum às entidades participantes, mobilizar maior número de pessoas em torno dos mesmos objetivos ou simplesmente influenciar mais pessoas. Quem for capaz de substituir o individualismo por uma perspectiva mais positiva, vai energizar a colaboração e liberar a criatividade e a inovação.

DICA 2.  ARTICULE OBJETIVOS COMPARTILHADOS

Firmado o acordo de colaboração, cada parceiro deve ser capaz de responder à seguinte pergunta: “Que papel eu desempenho nesse esforço coletivo?” Por isso, no início de uma colaboração, recomenda-se reservar um tempo para definir em conjunto “como será o sucesso”. Esse processo de identificação de metas compartilhadas também deve explorar as possibilidades negativas. Isso ajudará a prever como evitá-las.  O desenvolvimento conjunto de uma visão compartilhada motivará todos a avançar juntos, apesar dos desafios. Uma conversa franca, estabelecendo o que as partes buscam alcançar juntas, promove a transparência e ajuda a gerenciar expectativas.

DICA 3. FRANQUEZA

A confiança é a moeda das colaborações. Para muitos líderes de organizações da sociedade civil é muito difícil abrir mão de parte do controle de suas entidades e compartilhar sua direção.  Portanto, um entendimento prévio e claro sobre os limites das responsabilidades individuais é fundamental para que cada parte exerça seus direitos e cumpra suas obrigações e, assim, juntas alcancem o sucesso desejado.

DICA 4. ENCARE OS ERROS

Um dos maiores especialistas em criatividade dos Estados Unidos, Dr. R. Keith Sawyer, estudou a colaboração no contexto das apresentações de jazz. De acordo com ele, a inovação é estimulada pela improvisação, por tentativa e erro, “com múltiplos becos sem saída e a reinterpretação de ideias anteriores”. Se algo der errado, em vez de ficar frustrado com o que parece ter sido perda de tempo, revise as lições aprendidas em conjunto. É tentador procurar correr menos riscos, pois é constrangedor fracassar na frente de colegas. No entanto, quando uma colaboração oferece um ambiente favorável de aprendizado e de trabalho em colaboração, vale a pena correr riscos e colocar em prática ideias novas.

DICA 5. ESPERE E ACEITE CONFLITOS

É quase inevitável que haverá conflito em algum momento de uma colaboração. Quem aceitar isso, estará mais preparado para buscar uma solução construtiva. A chave é discernir se o objetivo da colaboração ainda está ao alcance e, se assim for, prosseguir o mais suavemente possível para além do conflito. Reconheça o conflito, mas concentre-se em manter o projeto avançando em conjunto para chegar ao fim do jogo: conflitos bem geridos podem oferecer a fricção necessária para polir o produto final.