Muhammad Yunus, exemplo de empreendedor social

23/10/2019

A Credicitrus e Coopercitrus através da Ação Social Cooperada compartilha mais uma inspiração para somar nas nossas atitudes. Conheça esta personalidade que faz a diferença no empreendedorismo social.

O nome do economista e professor universitário Muhammad Yunus, nascido em uma comunidade muito pobre de Bangladesh, na Ásia, é frequentemente o primeiro a ser lembrado quando se fala sobre empreendedorismo social. Em 1976, ele fundou o Banco Grameen, um negócio inovador baseado na concessão de microcrédito, ou seja, empréstimos de quantias muito pequenas em comparação com as operações bancárias tradicionais.

Esse empreendimento nasceu da sua convicção de que “a paz duradoura não pode ser atingida a menos que grandes grupos da população encontrem formas de sair da pobreza”, frase que depois se tornaria famosa. Com isso, contribuiu para gerar transformações duradouras em áreas marcadas pela miséria em seu país e, depois, em outras regiões, pois a fórmula que criou foi e continua sendo imitada mundo afora. Por essa iniciativa, passou a ser conhecido como “o banqueiro dos pobres” e, em 2006, ele e seu banco foram agraciados com o Prêmio Nobel da Paz.

Bangladesh é um dos países mais pobres do mundo, ocupando a 150ª posição entre 184 países considerados pelo Fundo Monetário Internacional. Está situado a Leste da Índia, tem cerca de 170 milhões de habitantes e seu PIB per capita soma pouco mais de US$ 1.200 por ano. Para efeito de comparação, o PIB per capita do Brasil, que está longe de ser um país rico, é cerca de 11 vezes maior, somando quase US$ 13.700.

Yunus fundou o Banco Grameen em Jobra, uma pequena aldeia bengali, onde o nível de pobreza atingia níveis quase inacreditáveis. Nessa localidade, ele conheceu Sufia Begum, uma jovem de 21 anos, analfabeta, que lutava desesperadamente para sobreviver com seus filhos. Ela era artesã, e fazia tamboretes de bambu que vendia para um empresário. Este financiava as matérias-primas para a produção de Sufia e de outras mulheres da localidade, cobrando de cada uma juros de nada menos de 10% ao dia (sim, ao dia!). O lucro de Sufia era de apenas 2 centavos de dólar por dia, equivalendo a pouco mais de 2 reais por mês.

Yunus ficou revoltado com essa situação pouco diferente de trabalho escravo, e viu aí uma oportunidade para ajudar os pobres de forma mais justa, dando-lhes oportunidade de crescerem sem explorá-los. Começou emprestando 27 dólares de seu próprio bolso para 42 mulheres da aldeia, cobrando juros muito baixos, equivalentes à taxa básica da economia bengali (algo como a Selic, no Brasil). Isso permitiu que todas comprassem a matéria-prima necessária aos seus trabalhos de artesanato e, pela primeira vez, tivessem lucro de verdade. A experiência foi muito positiva: todos os empréstimos foram pagos pontualmente, contrariando os prognósticos pessimistas de colegas e amigos de Yunus. Assim, de operação em operação, o Banco Grameen começou a crescer. Como ocorre no modelo cooperativista, parte dos juros pagos passou a ser “devolvida” aos tomadores dos empréstimos, na forma de capital social do banco. Com isso, hoje, um grande número de famílias pobres controla 90% do capital do banco e os 10% restantes estão nas mãos do governo bengali.

Os números atuais do banco são impressionantes: tem hoje quase 2.200 agências e está presente em praticamente todo o mundo; desde sua fundação emprestou o equivalente a US$ 5,8 bilhões para mais de 6,6 milhões de mutuários, 97% dos quais são mulheres; atende mais de 70 mil vilarejos; tem cerca de 19 mil funcionários; e sua taxa de inadimplência é baixíssima, de apenas 1,15%.

Muhammad Yunus finaliza: “Estou profundamente convencido de que podemos livrar o mundo da pobreza se estivermos determinados a isso. Essa conclusão não é fruto de uma esperança crédula, mas o resultado concreto da experiência que adquirimos em nossa prática do microcrédito”.

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